sexta-feira, 6 de abril de 2007

BEIJA-FLOR

Acrílico sobre MDF impermeabilizado
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Flama-Guia
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[ “é bom ter cuidado com a língua tagarela-----------------------------------------------------------
quando se agitam no peito as paixões”------------------------------------------------------------
- Safo de Lesbos - ]------------------------------------------------------------
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------------------------------------------------------------( Àquela
------------------------------------------------------------que não ouso revelar: R. )
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Levassem-me pelas ruas
desvendassem trilhas
tomassem atalhos
na noite escura
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Desembramassem
as meadas do tempo

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-górdios da perdição-
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e, como o tempo
perpétuos fossem
e sem fronteiras

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Ordenassem germinar orquídeas
das horas foscas
da cal, da pedra
do salitre
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desentocassem bichos
de seus covis, de suas frestas
mais remotas
mais sutis
mais dissimuladas
no emaranhado verde / ocre
dos barrancos e ravinas
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Que no transgredir do pânico
soprassem a espuma
do que não tenho a partilhar
como sopra a brisa morna
todo o incenso
da tragédia anêmica
em Calcutá

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Apontassem-me as três-marias
e desdissessem meus contraditos
sempre que embarcasse nos trens
em movimento
a esculpir monstros sem face
na latidão dos céus noturnos

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Pousassem plácidos
compadecidos
mas que também causassem
( e sobretudo )
a queda da lua, a conjunção
dos astros
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a filtração do mar viscoso
pela esponja primitiva

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e incitassem-me os lobos
a uivar
e fossem mornos

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Que na preguiça
dos verões do novo mundo
espraiassem úmidos e íntimos
doces e impetuosos
sobejos
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e me arrastassem
na profusão de corpos
como um cão conduz um cego

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Ah esses olhos...
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Cruzeiro Marítimo
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A claridade da manhã salpicada de rorejo
atravessa as frinchas da veneziana
e se atira
sobre essa pele de damasco
, oh gitana de Guadix
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e ouso inferir
que tua musculatura
rija
de tanta noite
exora massagens
um passeio
de minhas mãos


mas
como dormes
com essa expressão
cevada
e plena
refreio-me
a vigiar
as subidas e descidas
de teu ventre
meio mouro
*
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E deste ponto central
da sobrequilha
onde o mastro prende a vela
a uma doidice tremulante
eu
marinheiro laico
dou-me às vagas
desse mar bronzeado
jamais singrado
por um discípulo de Sagres

e naufrago nas bordas d’uma ilha

desse mais
tormentoso
Pacífico
de teu
sul
!
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3 comentários:

Clélia disse...

... Esse beija flor é muito lindo!!

Clélia disse...

Então... eu tenho uma primavera amarela,
uma roseira amarela e uma
azaléia vermelha, é de estimação, carrego para onde vou, como qualquer ser vivo elas também sofrem na fase de adaptação sempre que mudo...
Sempre que preciso desabafar é com elas que vou conversar... não, eu ainda não estou doida.... Eu me sinto esse beija flor conversando com a flor... fico olhando prá ele até cansar os olhos...

Anônimo disse...

intiresno muito, obrigado