quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

ALTURAS

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A Ontogenia do Mito
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Esculpe-te o mundo:
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farol que vara a neblina
, rútilo pistilo no emaranhado das cinzas
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O recalcitrante cinzel do tempo
-------&
-------um obcecado martelo
-------do qual não se foge
entalham-te:
-------flor-de-passiflora
-------em radiosa simetria
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Dão-te forma
-------a partir dos mesmos blocos de minério
-------pelos quais te vences
-------com grampos
-------mosquetões
-------alumbramento
-------e corda
rumo ao silêncio das alturas
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-------É de lá
daquele ponto
onde poucos chegam
-------que
-------- pedra lapidada -
-------propagas teu canto
------------------------de lua
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15 comentários:

Denise Emmer disse...

Esculpida assim,nesses versos, uma montanha vira lua e uma pedra bate as asas rumo ao céu impoderável.

ADRIANO NUNES disse...

Chico,

belíssimo!


Abraço forte!!!
Adriano Nunes.

Adriana disse...

Confesso que tive que olhar o que é ontogenia no dicionário. Pude então melhor perceber a beleza de seu poema, a sua construção ontogênica. Uma riqueza e uma beleza indescritíveis. Evoé!!

nydia bonetti disse...

Uau!
Um dos poemas mais incríveis que lí nestes últimos tempos. Magnífico.
Um abraço
Nydia

Compulsão Diária disse...

Também me espanto com as formas dadas e semlhantes vindas do mesmo minério.

Incrível como a ciência e a poesia aqui se mesclam

Sr do Vale disse...

E é de lá
Quesse canto
me encanta.

Graça Pires disse...

Mais um belíssimo poema meu amigo.
É de lá
daquele ponto
onde poucos chegam...
Beijos.

nina rizzi disse...

que coisa mais linda, chico. até valeu a pena te esperar :)

Mara faturi disse...

Tava com saudades daqui...lindas esculturas de palavras;0)
bjos !!!

Sr do Vale disse...

Meu amigo Assis, resolvi homenagear esse que é um blog especial.
Vai lá no Partículas do Pessoal, buscar seu premio.

http://particulaspessoal.blogspot.com/

um grande abraço.

f@ disse...

Deslumbrante a c o r d a r o silêncio do escultor a emoldurar a lua….

Beijinhos

Flávia Muniz disse...

transaparente, cristalina e aveludada: o mito deus-se as claras.

sobre o dedão do pé: já ouvi dizer isso. Não tinha me dado conta que o meu era maior!

beijo

Benny Franklin disse...

Jaz - aqui - a fertilidade de um grande poeta.

Palavras de finas estampas.

Pérolas sob os meus olhos.

PS: Sobre os livros de MAX MARTINS, eis as minhas sugestões:

- A Fala entre Parênteses, 1982
(em parceria com o poeta Age de Carvalho)

- Não para Consolar;

- Para Ter Onde Ir;

Forte abraço,

Benny Franklin
http://www.overmundo.com.br/banco/casca-de-extase

gabriela rocha martins disse...

brilhante!

( sem mais comentários )


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um beijo

BAR DO BARDO disse...

é o seguinte, cara, você não fez um texto poético.

você fez foi é música.

a nota "rútilo pistilo" foi a que me soou mais fundo.

parabéns.