domingo, 10 de maio de 2009

APETÊNCIA

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O Mexilhão
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( À moça de copo na mão )
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Úmida, rosada
incógnita
---------------ensimesmada
---------------nas franjas
de um silêncio entre valvas:
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broto de um ramo distante
guardião do compasso
---------------da maré de quadratura:
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como tornastes
um quase obsceno
refúgio
a exalar a fragrância do cio
e do sal ?
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que tanto almejaste
em vida
nas noites de preamar
quando fugiam-te
os sumos
nas águas da
continuação ?
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Túrgido grelo do tempo
embebido nas dobras
de um paramento
---------------de vulva:
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olhar-te assim, amanteigado
---------------e ardente
desperta a saliva na boca
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traz o encanto
---------------da volúpia
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---------------e uma viva memória
---------------agarrada na rocha
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16 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Adoro os seus textos, cara!

A inveja-morte se esconde no meu globo ocular...

Um abraço!

- Henrique Pimenta

Adriana Godoy disse...

Chico, que beleza. A natureza exalando sensualidade, o cio das ondas e das rochas, um poema-sal que traz vida em um dia de domingo.Nada como a visão de um biólogo no coração de um poeta. Lindo. Vou me lembrar quando vir um mexilhão. Beijo.

Marcia Barbieri disse...

"como tornastes
um quase obsceno
refúgio
a exalar a fragrância do cio
e do sal ?"
Maravilhoso, sensual e dúbio como todo bom poema.
beijos ternos

Compulsão Diária disse...

Breve história de um gesto!

Os gestos, as paisagens e os rostos são da ordem do que não se pode narrar.

E fez-se o poema que marca o inapreensível.

Close-up curto-circuito onde o próximo vem pra longe.

Salve Chico!

Carol Flor disse...

Gosto demais de como vc une tudo que gosta nas suas poesias :)
Grande beijo
Linda lua cheia

Felipe da Costa Marques disse...

adoro sua poesia,
do niobio poético
à arquitectura textual

congratulações!

nina rizzi disse...

gosto demais de teus poemas também. queria sabê-los assim. assim como sinto.

a mãe-terra devolve seu cuidado, com esse cuidado que lhe pa-lavra(m).

beijo :)

Barone disse...

Muito bom!

Madalena Barranco disse...

Oh, Chico,

Belo poema sobre a rosa feminina.
Ah, amei a imagem do passarinho no ninho.

Beijos

daufen bach. disse...

Olá meu caro Chico!

que beleza tua poesia "hombre"!
aqui lendo, me divertindo entendendo essa "biopoética" (não sei se o termo existe, mas não existe fica existindo e, por consequência tu por representante..rios - adianto-te nao sei se é bom não..kkkk)

gostei de "Lubby" e do "Na Trilha do Poço Verde"...gostei de tudo na verdade.


ah! tava me esquecendo, muito prazer sou o daufen bach., assim minúsculos mesmo. te conheci através do site de uma outra descoberta linda que fiz..."Adriana Godoy".

Parabéns a ti e um grande abraço. me adicionei aqui como seguidor pra nao perder teu rastro...rs.

Um abraço forte aqui da Bacia Amazônica.

daufen bach.

Patrícia Lara disse...

OLá, Assis!

Como diria meu amigo poeta daufen bach: "O que é bom não podemos perder o rastro". rs

Eu vim de lá do blog dele te seguindo e fiquei completamente encantada com o seu espaço aqui.

Belíssimas fotos! Teus desenhos, pinturas, são lindas tb! E os poemas... nossa!

PARABÉNS!

Vc conseguiu reunir, num único espaço, muitas riquezas.

Tb me adicionei para voltar mais vezes.

Um grande abraço,
Patrícia Lara

Analuka disse...

Emocionante. Saudades de passear por aqui! Abraços alados, Chico Assis.

Batom e poesias disse...

Adorei o poema e a postagem no meu blog.

Um biólogo, zoólogo, semi-doido e poeta é mesmo alguém que passou do ponto em que algum retorno seria possível... Que bom!

Muito prazer!
Rossana

Gabriel disse...

Chicão....

entrei so pra deixar um abraço...

depois entro com tempo pra apreciar seu blog....

abraços!!

GIGI

f@ disse...

Olá Chico,

... B e l o o s a l no d o c e … tempero fino em água fervente…

Delicado sabor das pa l a v r a s no ardor das algas quando o sol espreita o enlace e as areias salgadas es©orrem na fuga/ perseguição doce da onda em que mergulham…

Imenso beijinho abraço

Suzana Donatto disse...

Visitei seu blog hoje e adorei!
A maneira como mexes com as palavras é algo fantástico...
Um arco-íris de talento.
Rendo-me aos seus versos... Neles há maestria e perfeição, uma verdadeira obra de arte.
Vou querer seguir de perto
Admiração de quem lê.
Bravo!