sexta-feira, 1 de maio de 2009

ESPECTROS

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O Troglodita dos Pântanos
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( Para Silvia Mendonça, L Rafael Nolli
e F@, de Portugal )
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O troglodita dos pântanos
deixa sua cava
pra bem saber
----------------que o que governa o mundo
----------------são coisas voláteis
*
são almas de campos
----------------& nuvens
*
sol, pensamentos
*
arrepios & cópulas
*
*

Com as artérias íntegras
perde-se na porosidade da terra
----------------nas poças & no mimetismo das rãs
*
*

Cada minuto lhe cai folha verde
*
: o que promove o giro
tem sempre
----------------um dedo
----------------do
----------------insondável
*
*

Seus deuses são de pó
& suas mulheres
frágeis
plumas
de vidro
*
*
Ele as lambe
lambe
com um pé na pedra
e o outro na água
&
assim
elas se desdobram
como os tentáculos
de uma sépia
*
para dar-lhe filhos
fortes
brutamontes, sonhadores
mesclados
de
terra
*
&
também
dão-lhe filhas
lindas
lisas
cinturadas
& hábeis
nas mãos
*
*
Tudo que é seu
----------------leva um remate de faiança
*
----------------um esmalte
*
a despeito da sombra monstra
----------------que o acompanha
à luz da tocha
ou do sol
*
*
Ele
não se lasca
co’a sombra da morte
*
não planeja seu devir
*
resolve seus apertos
com parcimônia
, sem volteios
ou muito
pensar
*
: um grito
: uma pancada
*
& é nó
desfeito
*
*

17 comentários:

Nydia Bonetti disse...

----------------que o que governa o mundo
----------------são coisas voláteis
*
são almas de florestas
----------------& nuvens
*
sol, pensamentos
*
arrepios & cópulas
Só este início mereceria um prêmio, Assis. Maravilha de poema.
Um abraço.

Fátima Campilho disse...

Belo poema e horrível troglodita!
Só você mesmo para escrever sobre um bicho assim.
Seu blog ganhou um selo!
Abraços.

Edson Bueno de Camargo disse...

Gosto muito disso, poesia e bicho. nada mais poético que a natureza de ser inseto, animal, coisa que comunga direto com a natureza.

Abraços

Ana disse...

tava procurando uma imagem para minha poesia - mas já adianto que nao sou poeta, e sim bióloga, sendo minhas coisinhas beeemm sem pretensoes literarias- e achei seu blog, te adicionei no meus favoritos e vou postar em breve com um dos seus quadros (com os devdos creditos) que por algum motivo achei que combinou - mesmo entendo que a motivacao da pintura tenha sido totalmnte diferente da motivacao da poesia...que posso chama-la assim.
adorei tudo, abraco,
ana

Marcia Barbieri disse...

"Ele não se lasca
co’a sombra da morte

(...)
: um grito
: uma pancada

& é nó
desfeito"
gostaria de ser assim, sem muito penar...como sempre surpreendente.

beijos de carinho e admiração

Anônimo disse...

...sua poesia há de ser divulgada e admirada. Em breve!
Denise Emmer

Adriana Godoy disse...

Há uma ligeira semelhança entre esse troglodita e alguns homens que estão soltos por aí. Bom demais. beijo.

"Seus deuses são de pó
& suas mulheres
frágeis
como plumas de vidro"


PS: Indico a leitura do último texto de Daniel http://pianistaboxeador21.blogspot.com/

Renata de Aragão Lopes disse...

"Cada minuto lhe cai folha verde

: o que promove o giro
tem sempre um dedo
do
insondável"


Muito bonito, Chico!
E obrigada por acompanhar meu blog.
Abração.

Adriana Godoy disse...

Já comentei, mas não apareceu. De qualquer forma, me lembro de ter dito que conheço muitos homens assim, uma pancada e o nó é desfeito.Trogloditas por natureza(?). Belíssimas as imagens que se criam, à medida que desnudamos o poema. Chico, mais uma vez, você é um bicho-poeta de raro encanto, de raro talento. beijo. Beijo.

BAR DO BARDO disse...

isso é um eflúvio semântico - estou zonzo!

l. rafael nolli disse...

Meu camarada, você não imagina a satisfação que foi ver meu nome ligado a esse poema! Um texto forte, altamente metafórico! Só me resta agradecer. Muito bom! Obrigado!

Vieira Calado disse...

Olá,amigo!

Gostei do seu poema/ensaio sobre o
O Troglodita dos Pântanos.

Um abraço

Adriana disse...

Como sempre você faz da ciência poesia.Difícil de ser feito, abstrair o racionalizável....Cheio de imagens, metáforas, escolhas semânticas perfeitas.O bicho desfaz nós, e tu os tece no poema.Muito bom!

Taninha Nascimento disse...

Olá!

Faz tempo que não venho por aqui. Mas precisava de ar puro...

E,como sempre, encontro.

Abraços,
Taninha

f@ disse...

Olá Chico,
!mensas desculpas por não ter visto a dedicatória e pelo meu desleixo… falta o precioso tempo e na corrida sempre deixo tanto por ler…
a leitura dos teus notáveis poemas… adoça o meu sal.. gosto imenso do que escreves…. Motoooo mtoooo sempre…
Obrigado e imenso beijinho …. Fico mto feliz por essa dedicatória…

sentir o cair das folhas
!ntimo segredo das águas… o v e r de do lodo que aprendo no grito,
Vegetação do ©éu no coração raízes dos choupos no dis © u r s o das águas…
A m a r gem sem horizontes…
Abraço e beijinho Imensos

f@ disse...

Olá Chico,
Esqueci de te pedir mas gostava mto de poder publicar este poema nas nuvens… com o devido link para o teu blog… posso?


...
"um grito
: uma pancada
*
& é nó
desfeito
*"

Um laço
+ Abraço e beijinho

Maria Flor! disse...

Lindo...Lindo!
Sem palavras...
Adoro andar por aqui e te ler,
é sempre uma emoção!
Muta luz em sua inspiração!

Beijos da Flor!

p.s. agora fã de carteirinha e
seguidora fiel!