domingo, 21 de junho de 2009

DERRIBAMENTO

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Exício
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( Aos poetas Rodrigo de Haro
& Victor Sosa )
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Amebas rastejam na pele
corujas vomitam
os
oss
os
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Que rio remar
quando as sombras trepanam os olhos
& toda extensão da provável doçura ?
que praia correr
se uma voz, na noite das lápides
ecoa nas faces do limo & puxa o fantasma do espelho ?
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[ Ó lêmur do gelo & das poças
que dá forma
ao chorume dos mortos:
solve o teu sopro de visgo ]
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Reinventa o breu o betume
o amianto o asbesto, a poeira o lamaçal
& o olhar camundongo da fresta
espreita a ânsia de carícia
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[ Ó Manco Cápac
- de Inti & Mamma Quilla -
da cordilheira, das pedras do Vale de Cuzco:
que tua luz a tudo doure ]
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Quanto desvelo requer a dieta
quando frio é o sangue
& a linfa rala ?
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9 comentários:

Alice disse...

..."reinventa o breu do betume".... amei isso !!

Sua alma derramada em forma de letras me alegra a vida !


bjkasssssssssssssssssss

Adriana Godoy disse...

Confesso, Assis, que tive que ler algumas vezes para apreender(ou tentar) o sentido desse poema magistral. Essas imagens, esses significados, nos fazem tão próximos à mediocridade que somos, o quão pequenos somos. Vou ler de novo. Parabéns por sua criação. Beijo.

virgínia além mar- peixe voador disse...

Que rio remar
quando as sombras trepanam os olhos
& toda extensão da provável doçura ?
que praia correr
se uma voz, na noite das lápides
ecoa nas faces do limo & puxa o fantasma do espelho ?

belíssimo trecho, tudo muito bonito caro Chico, a tua arte em bromélia é ímpar ! parabéns e muito obrigada , abraços afetuosos,

nina rizzi disse...

é o bixo, poeta. e danem-se os cêagás!

é o bixo-carícia. BEIJO :)

renata disse...

Olá Assis, que alegria ver que caiste na rede do letra e fel! obrigada pela visita! voltei para retribuir e me encantei com teu espaço, parabéns!
Vi que gostas, assim como eu, de poesia concreta... é isso, tens fôlego para o lirismo!
Vou voltar sempre
abraço amigo
Renata

Adriana disse...

glupt,vou ler de novo para amarrar as palavras e dar um nós semântico na poesia.

Marcia Barbieri disse...

"Que rio remar
quando as sombras trepanam os olhos
& toda extensão da provável doçura ?"

lindo como todos os outros poemas que li poraqui!!!!

beijos ternos

f@ disse...

E se demoram as trepadeiras no teu rosto … verdes floridas nessa docura das palavras que o coração dita aos lábios das teclas …

® i o de pa l a v r a s a galgar as m a r gens…

Imenso beijinho

Kátia Torres disse...

Superou, Chico! E os poetas mencionados bem merecem este poema elaborado. A imagem que o acompanha é belíssima

Abraços.

Kátia.