quinta-feira, 20 de agosto de 2009

REBROTA

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O Tempo no Vento
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( Aos poetas Contador Borges
e Marcelo Tápia )
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Areia e cinza:
o vento embaralha
passados
que nunca morreram
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Um polvo espreita
a fuligem das eras
sem saber de rajadas
ou fogo
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e não avalia
o que nos
acomete
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Nada além do humano
retorna do espelho
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só nós nos mutilamos
no intento de talhar
a própria sombra
para sermos
celebrados
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O passado, perene, se amolda
a cada instância
, o presente é um ontem
requentado
& o futuro
são gavinhas da mesma rama
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[ O Olho
do cão ]
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---------------O olho do cão
---------------não se estatela
: não lhe há pensar em morte
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[ O sono
do cão ]
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---------------O sono do cão
---------------é tranqüilo
no trapo de um hoje sem tempo
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Areia e cinza ao vento:
grande bobagem
ensinar os filhos
a chorar seus mortos
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18 comentários:

Adriana Godoy disse...

Os animais não pensam sobre a morte, eles morrem. O polvo não sabe do mal que nos acomete, e vivemos, à espreita da morte, com o passado, o presente e o futuro se entrelaçando num jogo quase cruel. Chico, esse poema me causou beleza e um sentimento de tristeza e impotência. Belíssimo poema. Beijo

Assis de Mello disse...

Meninas & meninos amigos meus, desculpem a falta de tempo pra reciprocar minhas visitas aos vossos (chique hem !) blogs. Sempre que consigo visito alguns- adoro lê-los, vocês sabem- mas vivo dividido entre duas cidades e envolvido em mil coisas. Meu blog andou abandonado por um bom tempo, está difícil até de me dedicar mais a ele. E, como se não bastasse, minha cabeça é hiper-ativa, de modo que o resto do corpo e as virtudes da alma terminam padecendo. Como Maria Antonieta, sinto que preciso por minha cabeça pra descansar.
Beijos e abraços... cada um de vocês escolhe o que quiser dentro do limite do bom senso.
Eu precisava dar esta explicação a vocês. Afinal sou um gentleman, putakipariu !!! rsss

Marcia Barbieri disse...

"Nada além do humano
retorna do espelho"
adoro o símbolo do espelho e adoro suas poesias. A imagem tb é espetacular.


beijos ternos

Adriana Godoy disse...

Assis, não faz mal que você se ausente por um tempo, porque quando escreve é uma apoteose. Descanse a sua cabeça, mas não nos deixe acéfalos. Beijo.

Chá das Cinco disse...

"só nós nos mutilamos
no intento de talhar
a própria sombra
para sermos
celebrados"

A exacerbada vaidade de hoje pode ser retradas com essas palavras.
Parabéns o teu blog é inteligênte,gostei muito do teu espaço.

Um abraço

Kátia Torres disse...

Chico, esta poesia é uma das melhores que li nos últimos tempos. Forma e conteúdo perfeitos. Sensibilidade, mas uma certa melancolia. Tiremos a areia e o cinza, no entanto, os filhos não devem chorar os seus mortos.

Buda, vc é sábio.

Adoroocê...!

k.t.n.

Helena disse...

Que bonito, Chico! Adorei seu blog, as poesias e as idéias delas. Obrigada por elogiar meu vento norte no poemadia

grande abraço,

helena

Batom e poesias disse...

Não há um só verso aqui eu não tenha concordado inteira e intensamente.
Está desculpado e nem precisa reciprocar (adorei a palavra), só não pode parar de escrever.

Bjs
Rossana

Pedro Du Bois disse...

Caríssimo Chico, quanto mais leio, mais gosto. Metafisicamente. E literariamente. Teu canto ostenta a crueza - e a leveza - do que penso: mesmo que (eu) nada intente. Abraços, Pedro.

f@ disse...

Olá Chico.

Vento na brisa…
a aconchego na areia para enxugar as lá g rimas
entre o sono e o sonho
a cinza branca com raios de sol e sal … no b elo de te ler…
e reler na !magem li laz

Gostei mto….
!nfinito beijinho

Euza disse...

Grande verdade: o futuro é a árvore plantada ontem!
Qto aos mortos... areia e cinza ao vento se misturam e somem!
Beijo poeta!
PS. recebeu meu convite? Conto com vc!

Úrsula Avner disse...

Olá meu caro doutor, é uma honra tê-lo como seguidor do meu blog. Suas poesias são belas, intensas, reflexivas , de um lirismo admiravelmente bem articulado. Gostei muito e voltarei ! Um abraço.

Adriana Karnal disse...

Chico,
Tua poesia é crua e delicada ao mesmo tempo, reflexo de tuas palavras leves, mas teus temas intensos.Quanto a falta de tempo, descanse, a poesia espera, a cabeça,não.
bj

daufen bach. disse...

(gostei do gentleman..rs)

Olá meu caro amigo, eu, embora também ande um pouco afastado, sempre que posso dou um pulo por aqui, quase nao comento, mas leio sempre.


Tua poesia me encanta, esse conteúdo biológico... essa fisiologia em versos é magnífica. a disposição espacial de teus também é um primor...


Parabéns...muitíssimos Parabéns!

Abraço e linda semana!

daufen bach.

um cara legal... disse...

vc é o mejor!!!

Analuka disse...

Caríssimo Chico Assis!!! Que belo poema! E, justamente, postado no dia do meu aniver, hehehe! Bom passear por aqui. Adorei especialmente a abertura e o desfecho do poema: tocantes! Abraços alados azuis, saudades.

Helena Castelli disse...

Muito bom o seu blog, uma ótima leitura por aqui...

Beijos meus, com carinho.
Helena

Marcelo Novaes disse...

Assis,



Inventário do tempo-compactado-no-humano.


Não se talha a própria sombra.


Celebremos o pachorento cão.

E seu Olho.





Abraços,








Marcelo.